Gustave Charpentier
Born: 25 June 1860, Dieuze (France)
Died: 18 February 1956, Paris (France)
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Biography
Voya Toncitch
[in Portuguese]
Há cinquenta anos morreu o compositor francês Gustave Charpentier (1860–1956)
O compositor francês Gustave Charpentier nasceu em Dieuze (departamento de Meurthe et Moselle) no 25 de junho de 1860. Iniciou os seus estudos musicais no Conservatório de Lille (departamento de Norte), onde estudou violino, depois aperfeiçoou-se no Conservatório nacional superior de Paris. O seu professor de composição em Paris era o ilustre compositor de óperas Jules Massenet (1842–1912). A delicadeza do lirismo de Massenet marcou a sensibilidade artistica de Gustave Charpentier, mas não influenciou o seu idioma musical, mais próximo do espírito do Giuseppe Verdi (1813–1901), cuja sintaxe adoptou na sua maior obra "Louise", composta em 1896. A estreia de "Louise" em Paris em 1900 foi um triumfo. O teatro de "Opéra comique" de Paris deu mais de mil representações do primeiro "romance musical" de Gustave Charpentier entre 1900 e 1956, ano da sua morte. Segundo o escritor e eminente crítico musical do jornal parisiense "Le Monde" (O mundo), René Dumesnil (1879–1967), que publicou um artigo necrológico no 21 de fevereiro 1956, Gustave Charpentier declarou na ocasião do seu octogésimo aniversário em 1940 que a sua morgada Louise tinha atingido 44 anos sem "marcar rugas".
Infelizmente, o seu segundo romance musical "Julien ou La vie du poète" (Júlio ou A vida do poeta) escrito em 1913, não teve o mesmo sucesso. A ópera "L’Amour du Faubourg" (Um Amor do subúrbio) composta no mesmo ano e a lenda lírica "Orphée" (Orfeu) composta em 1931, ficaram inéditas.
O libreto de "Louise", escrito por Gustave Charpentier, é inspirado pelo amor impossível de uma jovem operária e um poetaço do bairro Montmartre em Paris, que os pais da rapariga não aceitavam. Perseguidos pela mãe da rapariga, os dois namorados fugiram da água-furtada onde moravam e perderam-se na turma de transeuntes do bairro popular. A música de Gustave Charpentier poetou admiravelmente as cenas do folklore parisiense, encenou musicalmente a água-furtada e os objectos da vida cotidiana, mas não caiu no naturalismo do seu contemporâneo Émile Zola (1840–1902). Impulsado, pelo seu humanismo inato, Gustave Charpentier criou um ambiente de realidade social dos humildes, sem chateza nem insipidez.
Sem acentos rudes nem sentimentalismo ensosso dos veristas italianos e seus sobressaltos de voltagem dramática.
Alguns historiadores de ópera consideram Gustave Charpentier um verista embora ele ignorasse totalmente o movimento demagógico e mercantil iniciado por Pietro Mascagni (1863–1948) em 1890 com a sua ópera "Cavalleria rusticana".
Apesar do tremendo sucesso do seu primeiro romance musical, Gustave Charpentier ficou modesto e humano durante toda a sua longa vida, preocupado pelos problemas sociais dos desfavorecidos. Sentiu o lirismo encobrido dos seres "sem importância". Fundou o Conservatório de dança e música "Mimi Pinson" (Mimi tentilhão) para as filhas de operários. Organisou muitas Festas musicais democráticas.
Gustave Charpentier obteve o prestigioso Prémio de Roma (Prix de Rome) em 1887. Compôs em Roma as suas "Impressões de Itália" por orquestra em 1889. Deixou tembem dois álbuns de melodias, um Te Deum e uma Missa de Natal.
No seu livro "La Musique en France entre les deux guerres" (A música na França entre as duas guerras, 1919–1939), publicado em 1946, René Dumesnil revela as influências da estética de Gustave Charpentier sobre as obras cénicas de compositores franceses Francis Bousquet (1890–1942), laureado do Prémio de Roma em 1923, e Francis Casadesus (1870–1954). Com o compositor Albert Doyen (1882–1935), Francis Bousquet e Francis Casadesus, organisaram Festas do povo, manifestações chamadas A Arte para o povo com a activa participação do povo, e compuseram obras instrumentais, orquestrais, vocais e corais ligeiras e agradáveis, mas inspiradas, bem construidas e sem banalidades.
O grande homem, humanista sincero e convicto, Gustave Charpentier faleceu em Paris no 18 de fevereiro de 1956.
Voya Toncitch
(publicado no Jornal de Notícias, O Porto, Portugal, secção A sua notícia, no 2 de março 2006)
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